A vida ao som da vontade de fugir
Acordou, fez tudo o que sempre fazia e saiu para trabalhar.
Entrou no ônibus, sentou, colocou os fones no ouvido e ligou seu mp3 player.
Com a inspiração da primeira música começou a viajar, a ir longe, muito longe.
Quando voltou teve vontade de fugir.
Sim, a música dava vontade de fugir. Ir para algum lugar no mundo, onde não conhecesse ninguém.
Como era inspirador.
Olhou a paisagem, transformada pela música. Sua mente sem idéias, somente sons e imagens.
Eram as mesmas imagens de todos os dias, mas, ao mesmo tempo, totalmente diferentes.
Ainda tinha vontade de fugir.
Não por não gostar de sua rotina, mas por se gostar o suficiente a ponto de se permitir viajar.
Mas uma viagem normal precisa de muitos detalhes e planejamento.
Fugir não. É só sair. Não precisa avisar.
A música acabou. Outra começou, mas aquela tinha outro sentimento.
E pensou no absurdo de largar tudo e simplesmente fugir.
Que idéia.
Quem faria isso?
Teria que ser muito doido.
Ajeitou a gravata, os óculos, apertou a mão na pasta e desceu no seu ponto de sempre.
Um novo dia começava.
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